Luminosidade a norte
Em pleno centro do Porto, num condomínio resguardado, foi concebido um refúgio de bom-gosto, ordem e tranquilidade.
Quinta, 4 de Fevereiro de 2010 às 11:18
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Texto Marisa Antunes
Fotografia Bruno Barbosa
O ponto de partida não podia ser melhor: uma moradia de 300m², cheia de luz, rodeada de verde e totalmente vazia, a aguardar uma nova identidade. A missão coube ao ateliê INAIN Interiores, do Porto, que manteve a essência pura da casa, equilibrando-a com o necessário para a tornar requintadamente confortável.
"A casa foi-nos apresentada apenas pintada. É um espaço limpo, geometricamente muito arrumado, com janelas rasgadas, uma só árvore no jardim, e uma leitura tipo Jacques Tati, no filme 'Playtime'. Quisemos transformá-la, não direi de forma monocromática mas quase, reforçando o ambiente com alguns apontamentos de cor", resume o designer de interiores, Mário Azevedo.
Foi exactamente o que aconteceu na área social decorada em tons suaves, contrastados apenas com o vermelho e negro dos sofás. "É uma sala inundada de luz, por isso tudo o que tem cor ganha uma força muito grande", realça. Exemplo disso é o cadeirão vermelho, colocado junto à janela, que se torna "convergente, pois quando se entra na sala, o olhar é imediatamente atraído para aquele recanto".
Na sala de jantar desta moradia integrada num condomínio a dois passos da Casa da Música, o grande destaque vai para as cadeiras de design japonês e para a artística mesa de Todd Bracher que deixa transparecer uma viga de alumínio polido e retorcido que atravessa o tampo e vai desembocar aos pés da mesa. "É uma peça com uma leitura muito especial, simples mas forte na densidade e na imagem que transmite", sublinha Mário Azevedo que juntamente com a decoradora Paula Ferreira Alves e a designer Sara Ramalho formaram a equipa da INAIN para esta intervenção.
Os tons claros nos mármores predominam na cozinha e nas casas de banho. Nestas divisões, os móveis quiseram-se "sem grande expressão visual de forma a aumentar a sensação de espaço". O desafio foi ainda maior numa das casas de banho devido à sua reduzida dimensão. Para criar uma percepção óptica diferente, foi revestida uma das paredes com um espelho de grandes dimensões, tendo sido colocado ao fundo um painel com o desenho de uma árvore que sobe até ao tecto para, assim, "transmitir uma sensação de liberdade e de espaço".
A caminho do piso superior, no patamar das escadas, é impossível não reparar na original composição de espelhos côncavos, partidos de forma aleatória e que se prolongam parede acima, realçando ainda mais o pé direito que se eleva por quatro metros até ao tecto.
Já no primeiro andar, o quarto destinado a escritório revela-se irreverente e marcante. Mário Azevedo explica que o objectivo foi criar um espaço diferente do convencional, mantendo, ainda assim, a simplicidade e a funcionalidade de uma zona de trabalho. O piso superior acolhe ainda mais três quartos, todos para descanso dos moradores da casa. No principal, as cores quentes como o castanho e o bronze garantem um ambiente intimista, reforçado pela harmonia cromática conquistada através do papel que cobre duas das paredes do espaço. A cabeceira da cama, integralmente forrada a tecido, cumpre a finalidade de criar um visual de relax e conforto a quem dela desfruta.
O quarto do elemento mais jovem da casa foi concebido para o acompanhar na adolescência. A paleta de cores utilizada assentou nos tons fortes do laranja - "uma cor que funciona sempre bem e não é agressiva" - e no azul Caraíbas, ostentado na parede.
A colcha executada no ateliê da INAIN, com os tecidos de Andrew Martin, agrega todas as tonalidades utilizadas e dá sentido ao espaço, tornando-o jovial e alegre.
No conjunto, o primeiro andar demarca-se com uma personalidade mais colorida, criando um equilíbrio harmonioso com a brancura imposta no piso térreo, para atingir, no final, um conforto esteticamente apelativo em toda a casa.