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Escultura habitável para sentir e tocar no CCB

O Centro Cultural de Belém (CCB) recebeu recentemente no seu Jardim das Oliveiras uma peça de arte muito sugestiva.

Quarta, 28 de Julho de 2010 às 15:56

Foi batizada de escultura habitável, é da autoria do escultor e arquiteto Miguel Arruda e está integrada nas iniciativas CCB Fora de Si, da Bienal de Arte e da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2010.
Com esta obra, Miguel Arruda transporta a memória formal de uma das suas primeiras esculturas da década de 60 para a atualidade e confere-lhe a escala e a experiência espacial da arquitetura. Uma peça em ferro, manipulável e de apenas 20 centímetros ganhou assim volume, décadas depois, permitindo o exercício da habitabilidade, numa estrutura revestida a cortiça.

"Fiz esta peça, numa escala muito menor, em 1968, para a minha primeira exposição como escultor. Era em ferro cromado, em módulo e pela dimensão, era também manipulável. Agora e a partir de um desafio feito por Miguel Carvalho e Stefan Simchowitz para participar na Bienal de Arte, resolvemos recriar a mesma forma, com uma escala muito superior: 42 anos depois, 56 vezes maior em relação à dimensão inicial. De peça manipulável passou a ser uma peça penetrável pois as pessoas podem entrar e sentir o espaço interior", conta Miguel Arruda.

Com uma área de 40 m2 e concebida em parceria com a Dustrimetal e a Corticeira Amorim, a peça assenta numa estrutura metálica, feita em módulo para facilitar a sua montagem no local, sendo depois totalmente revestida a cortiça pelo exterior e também no interior, que ostenta um pavimento 100% ecológico. "Optámos por utilizar a cortiça exatamente como ela é, no exterior, o que lhe permite uma grande integração na paisagem. Para o interior, contrastando com a rudeza da casca, temos a subtileza e a doçura tátil da cortiça tratada. As pessoas ao mexerem nas paredes poderão constatar que a temperatura é idêntica à temperatura do corpo humano", reforça ainda o arquiteto.
O grande objetivo de Miguel Arruda com a sua "Escultura habitável" é não só provocar sensações mas levantar questões onde se cruza a dialética da escultura e da arquitetura: "Nos seus limites que não existem, antes pelo contrário - podem ser pontualmente exponencializados nesta ou naquela circunstância".

Até 31 de Outubro, o Jardim das Oliveiras no CCB torna-se assim um território onde o visitante pode habitar a peça, e como diz o arquiteto, "experimentar uma quadridimensionalidade que projeta a apropriação da arte, a arte como lugar e o lugar como conceito de Escultura Habitável".

Texto: MARISA ANTUNES
Fotografia: FG+SG -  Fotografia de Arquitectura

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