A Casa da Praia Grande
A serenidade do local, a Praia Grande ali tão perto, o verde da serra de Sintra arrebata de imediato quem se acerca da casa.
Segunda, 4 de Junho de 2012 às 15:03
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Terminada há pouco menos de dois meses e implantada num terreno com um declive acentuado, a moradia encaixa-se com harmonia na encosta, um feito reforçado pelo efeito cascata vegetal que daqui a alguns meses já será possível observar graças às amplas floreiras e coberturas ajardinadas que para ali foram projetadas.
Carlos Presas, empresário, teve empatia imediata com o local tendo adquirido o terreno há mais de uma década com a intenção de ali construir a sua casa de sonho. Mas as habituais burocracias processuais acabaram por atrasar a construção levando-o a adquirir para si uma outra casa e colocando esta, agora já terminada, em comercialização.
Ainda assim, ficou o projeto de origem, a casa sonhada e idealizada ao pormenor, num trabalho materializado pelo ateliê JRC Arquitectos.
"Percebi, assim que vi o terreno, o grande potencial que aqui existia devido a este declive acentuado. Quem chega, ao nível da estrada não percebe de imediato a vista fantástica para o mar (da praia Grande) de que a moradia usufrui. Uma vez subindo esse declive, atravessando o jardim e chegando à casa é que se entende toda a beleza da envolvente. No fundo, é isso que valoriza muito este terreno", conta Carlos Presas ao Espaços & Casas, à medida que transpomos o portão e vamos subindo em direção ao coração da casa.
Com o ateliê sediado ali ao lado, na inspiradora paisagem das Azenhas do Mar, os arquitetos materializaram a sensibilidade que já detinham daquele local e edificaram uma casa que não fere a delicada paisagem, integrada no Parque Natural Sintra Cascais.
A habitação está inserida num lote com um total de 4.000 metros quadrados, situada no chamado Alto do Rodízio, na Praia Grande, em Sintra. "O declive do terreno permite uma implantação orientada para se desfrutar totalmente a natureza. No fundo, o que fizemos foi 'encaixar' a casa e abraçá-la neste terreno de forma a que esta se dilua na natureza e se envolva completamente com o cenário, um efeito reforçado pelas coberturas ajardinadas da casa", salienta um dos autores do projeto, Miguel Ribeiro de Carvalho.
Para além disso, a habitação foi edificada numa posição mais recuada no lote, acrescenta o arquiteto, o que confere privacidade em relação a quem passa na rua e em simultâneo assegura uma vista ainda mais aberta para o mar. "A casa é como que uma fortaleza para quem a olha de fora, mas para quem está no seu interior esta é completamente livre, permitindo ligações permanentes ao jardim, ao exterior, a toda a envolvente".
A moradia desenvolve-se em três pisos. "Um deles está em grande ligação com a zona do alpendre e da piscina exterior, aquecida. Ao nível do piso 0, e transpondo a entrada principal da casa, encontramos o grande salão que comunica com o exterior através de amplas varandas e de onde é possível ter perspetivas fantásticas do mar. No piso superior localizam-se duas suites e três quartos. A partir destes quartos e de uma das suites acede-se diretamente a uma varanda panorâmica", descreve João Ribeiro de Carvalho, que também assina o projeto. O elo com o exterior é, aliás, permanente em todas as divisões. Até nas casas de banho ou na cozinha se consolida essa ligação, apostando-se forte no efeito cénico e surpreendente dos ambientes. "Apesar de não conhecermos os futuros proprietários, foi um privilégio garantir todo o conforto à casa e imprimir-lhe identidade. Esta moradia tem a particularidade de se modificar com o passar das horas. Desenham-se pequenos cenários, joga- muito com a luz e as sombras", refere João Ribeiro de Carvalho.
Existiu ainda a preocupação de torná-la sustentável. "As paredes são duplas, com caixa-de-ar e isoladas termicamente, os caixilhos, minimalistas, com vidros térmicos, a sala tem recuperador de calor; existem painéis de alto rendimento para as águas sanitárias e todo o piso é radiante. Recorremos além do mais à geotermia. Estivemos muito centrados em fazer uma casa que se mantivesse a si própria", acrescenta ainda o mesmo arquiteto.
A pedra da região, o reboco e o vidro fazem parte dos materiais-base. Nos acabamentos interiores destaque-se, por exemplo, os pavimentos em pedra natural com lajes de azul valverde da zona social no piso 0 ou as paredes de ardósia preta e azulejo branco feito à mão presente nas casas de banho.
Todas as áreas envolventes da casa foram determinadas por um estudo paisagístico onde se privilegiou apenas a flora e as espécies arbóreas próprias do Parque Natural Sintra Cascais.