Casa com vista para o jardim
A Casa Conde tem uma presença discreta e simples. Quem passa pela rua onde está edificada, quase não dá pela sua presença. No entanto, ao entrar no seu interior, de imediato somos surpreendidos pela beleza e singularidade do projeto. Moldada nos declives do terreno existente, a moradia unifamiliar é como uma melodia que enche o espaço em redor e garante privacidade a quem aqui ali vive.
Sexta, 20 de Julho de 2012 às 15:24
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Localizada na outra margem de Lisboa, no Pinhal Conde da Cunha, a Casa Conde foi projetada pelos arquitetos Sara Antunes e Mário Ferreira do atelier SAMF Arquitectos. A sua construção data de 2011 e os clientes, um casal formado por um músico e uma cantora lírica, tinham uma ideia definida para a sua nova habitação. Do diálogo entre arquiteto e cliente nasceu esta habitação, com uma área de 312 m2, implantada num lote de terreno com 750 m2.
"As casas têm muito a ver com os clientes e, na minha perspetiva, os clientes bons fazem casas melhores", comenta Sara Antunes. Conta que neste caso o cliente tinha a noção do que queria, sem impor uma visão aos arquitetos, deixando-os criar livremente. O resultado está à vista.
O lote onde a casa se integra, na sua confrontação com a rua, tinha uma diferença de cotas muito acentuada. "Estava elevado três a quatro metros em relação à rua, o que era uma relação estranhíssima, mas encantou o proprietário e permitia-lhe a privacidade desejada para a sua nova morada", explica Sara Antunes. O volume da casa acompanha o declive da rua com uma cobertura de inclinação única. No interior, a habitação nivela com o jardim, garantindo privacidade aos moradores. É como se de uma peça de lego se tratasse. Só que aqui é a casa que encaixa no terreno e se torna parte do mesmo.
O portão de entrada dá para um pátio de onde se vislumbra a porta da garagem e uma zona de arrumação exterior. No piso térreo figura um ginásio com quarto de banho e escada de acesso ao piso superior. Seguindo pelo corredor do piso térreo alcança-se a cozinha e a sala. Os dois espaços partilham a mesma área, ampla e bem iluminada. Para além do piano, que domina a zona de estar, destaca-se a estante, de parede a parede, interrompida pela janela, fonte de luz natural. No extremo oposto fica uma porta de vidro com vista para o jardim. Explicam os arquitetos que esta relação do interior com o exterior, tratando-se de uma vivenda, é algo que privilegiam no trabalho que desenvolvem.
Prosseguindo o percurso, e já no andar superior, deparamo-nos com a biblioteca, com acesso para um terraço, em tijolo. Da biblioteca acede-se ainda a um pequeno jardim suspenso. Trata-se de dois acessos separados. Daqui prosseguimos para os três quartos, todos com vista e acesso privilegiado à piscina, na parte elevada do terreno.
A inclinação da casa cria ambientes diversificados. A sala tem um duplo pé-direito e os quartos têm tetos inclinados. "Como a moradia tem uma inclinação única, desenhámos os interiores com base numa organização que não é exclusivamente horizontal; jogámos muito com as alturas dos tetos e fomos conferindo importância às várias funções de acordo com a altura que atribuíamos a cada espaço", refere Mário Ferreira. Acrescenta o arquiteto, a título de exemplo, que a sala, pela sua utilização - nela se praticam aulas de música, concertos e realizar ensaios - , é a divisão mais alta da casa. Já na área dos quartos "caminha-se de um espaço mais intimista, com uma altura mínima, para o quarto principal, e por isso mais alto. Como o teto é sempre variável, cada espaço tem um caráter e ambiente próprios", acrescenta Mário Ferreira.
A dupla de arquitetos não gosta de uma organização muito rígida das funções de uma casa, tendo optado neste projeto, por isso, por uma relação mais aberta entre a sala, cozinha e as circulações. Aproveitaram ainda o vão da escada e outros espaços para a construção de arrumos.
Outra nota dominante na Casa Conde é a ligação constante ao exterior. Não só todas as divisões têm vista para a área circundante como foram criados percursos a pé que percorrem toda a moradia. Foi também feito um levantamento exaustivo dos pinheiros que existiam na propriedade, uma vez que grande parte destes foram mantidos no local, atestando o cuidado da equipa na preservação dos elementos naturais.
Com tijolo à vista na fachada, a casa exibe o mesmo material nos seus interiores, desde o pavimento às paredes da cozinha. A escolha do tijolo para revestir a casa "vai de encontro à utilização de materiais naturais que o cliente nos pediu", explica Sara Antunes. Nas restantes divisões predomina a madeira, no chão, portas e arrumos. Para a casa de banho e cozinha foi escolhida a ardósia. Em suma, materiais naturais que envelhecem bem e conferem personalidade à habitação.
Rodeada pelo verde do pinhal, a Casa Conde é um exemplo de arquitetura simples e inteligente, em total harmonia com a envolvente.