Casa Godiva, retiro em Cascais
Foi batizada com nome de chocolate - um hábito antigo do ateliê de arquitetura Empty Space, que dá nomes de marcas de chocolate aos seus projetos - e é de facto um 'doce' de casa.
Sexta, 29 de Junho de 2012 às 16:34
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Localizada num local muito tranquilo, rodeada por uma refrescante mancha verde, a Casa Godiva, na linha de Cascais, inspirou-se no que o arquiteto Luís Mendes, do ateliê Empty Space, define como arquitetura racional. "Ou seja, foi concebida tendo por base o rigor do desenho associado ao uso de linhas geométricas simples e puras, na utilização de materiais nobres e novos métodos construtivos, que deram origem a um objeto arquitetónico dinâmico e no qual o rigor do detalhe construtivo e a forma artística derivam de um método assente no constante diálogo entre a forma e a função."
Finalizada em janeiro desde ano, a moradia privilegia, acima de tudo, a "fácil vivência espacial", adequando-se da melhor forma aos seus moradores, dois dos quais com mobilidade reduzida.
Marcante é também aqui o permanente diálogo "interior/exterior", que permite captar a essência de toda a envolvente que rodeia a moradia. Como realça o autor do projeto, "os espaços interiores, independentemente da sua função, combinam-se com os espaços exteriores de jardim para os quais se abrem de modo direto ou indireto. Até o jardim foi desenhado como se tratasse de um conjunto de espaços interiores, de estar ou circular, mas sem teto; a constante presença de luz natural a inundar os espaços interiores em várias horas de exposição solar, vem materializar e enriquecer a peça arquitetónica, através de um interessante jogo de claro e escuro, de luz e sombra".
Inserida num lote de desenho triangular, a moradia desdobra-se por três volumes, de diferentes dimensões. Dois corpos retangulares interligam-se através de um volume central, este, de formato quadrangular.
"O contentor sul é destinado a albergar os espaços privados da habitação (quartos; suites). Este volume é rasgado no seu alçado sul para um espaço exterior de estar e circular, que tem como objetivo principal criar a fronteira do imediato contacto (quarto/ jardim), aproximando a cota baixa da cota alta. Já o contentor norte, rasgado por vãos de grandes dimensões, recebe os espaços sociais da casa. O volume central de menor dimensão é o elemento nobre e principal de toda a organização formal e espacial deste objeto arquitetónico. Chamo-lhe a charneira, o elemento de chegada e partida", explica o responsável.
Classificada com um A+ de certificação energética, a Casa Godiva contempla várias soluções térmicas passivas e ativas, desde a utilização do Sistema de Isolamento Térmico pelo exterior, aquecimento central através de Bombas de Calor Termodinâmico, lâminas exteriores de sombreamento e pavimento radiante hidráulico, para citar apenas alguns exemplos.
Uma casa sustentável em perfeita sintonia com a envolvente inspiradora.
Texto Marisa Antunes
Fotos João Morgado